Quando a realidade não cabe no ideal.

Adoece tentar viver brigando com o que é. Não aceitar não no sentido de concordar ou gostar, mas de reconhecer. A vida como ela está agora, e não como deveria ter sido. No cotidiano, isso aparece de forma silenciosa. A pessoa insiste em manter uma relação que já acabou, porque idealizou quem o outro poderia ser. Permanece em um trabalho que só machuca, porque acredita que um dia vai voltar a fazer sentido. Força alegria onde só existe cansaço. A idealização funciona como anestesia no início. Sustenta expectativas, cria promessas internas, dá a ilusão de controle. Mas, com o tempo, vira cobrança. Do outro, da vida e de si mesmo. A realidade nunca alcança o ideal, e a frustração se instala como estado permanente. Não aceitar o que está posto exige um esforço constante. O corpo sente. Tensão, irritação, desânimo, sintomas que não têm nome claro. Não é fraqueza. É desgaste de sustentar uma fantasia em tempo integral. Aceitar não é desistir da vida. É parar de exigir que ela corresponda a um roteiro que já não se sustenta. Quando o ideal cai, algo dói. Mas também algo se libera. Energia, presença, possibilidade de escolha. O adoecimento muitas vezes não vem do que acontece. Vem da recusa em deixar cair aquilo que nunca foi. Aline AndradePsicóloga Clínica

E quando nada faz sentido? Para onde devo olhar?

Quando nada faz sentido, o impulso é olhar para fora. Para a vida do conhecido que “deu certo”. Para o famoso que parece seguro, produtivo, confiante. Para quem aparenta saber exatamente onde está indo. Esse é um ponto cego comum. Olhar demais para trajetórias que não são as suas. Outro ponto cego é ignorar o próprio corpo. Ele já avisou que esse ritmo cansa, que a comparação pesa, que esse caminho não cabe mais. Ainda assim, você insiste, porque alguém parece ir mais rápido ao seu lado. Nada faz sentido quando você tenta viver a direção de outra pessoa. Quando mede a própria vida por recortes editados. Quando exige de si clareza total enquanto atravessa fases que, por natureza, são confusas. Talvez o problema não seja falta de sentido. Talvez seja excesso de referências externas e pouca escuta do que está acontecendo aí dentro. Perguntas que costumam ficar fora do campo de visão.O que eu estou sustentando só para não parecer perdido?Que escolha eu adiaria menos se não estivesse me comparando?O que o meu cansaço está tentando dizer? Na clínica, a terapia não oferece um mapa pronto. Ela ajuda a tirar os olhos do caminho do outro e a sustentar perguntas que pertencem à própria vida. Não para acelerar processos, mas para parar de se violentar tentando caber em direções que não são suas. E se a grande questão for reconhecer o que você está fazendo de errado, não porque alguém acertou diferente, mas porque esse caminho já mostrou que não funciona para você? Aline AndradePsicóloga Clínica

Amor-próprio não se sustenta no espelho.

Não é se olhar no espelho e repetir afirmações esperando que algo mude. Isso até pode acalmar por alguns minutos, mas não sustenta uma vida. Amor-próprio aparece nas decisões pequenas e desconfortáveis. É perceber que o corpo já está tenso naquela conversa e, ainda assim, não se violentar para agradar. É dizer não sem pedir desculpa por existir. É reconhecer o limite antes de estourar e não depois. No dia a dia, amor-próprio é saber se comunicar consigo mesmo sem agressão. Parar de se chamar de fraco, exagerado, insuficiente. Tratar o próprio cansaço com seriedade, não como drama. Escutar o incômodo antes que ele vire sintoma. Também é saber a hora de ficar e a hora de partir. Permanecer quando ainda há presença. Ir embora quando só restou medo de ficar só. Não negociar respeito para não perder companhia. Amor-próprio é não permitir que os outros saibam mais sobre você do que você mesmo. É não entregar sua medida ao olhar alheio. É sustentar escolhas mesmo quando elas não recebem aplauso. E, principalmente, é não aceitar desrespeito como preço da pertença. Quem se abandona para não ficar sozinho já está em solidão, só que acompanhado. Amor-próprio não é estética emocional. É ética com a própria existência. Aline AndradePsicóloga Clínica

Nem tudo que incomoda é energia ruim.

Tem lugares que antes eram leves e hoje cansam. Pessoas que você gostava de encontrar e agora drenam. E rapidamente alguém traduz isso como “energia pesada”, “gente carregada”, “ambiente ruim”. Na maioria das vezes, não é nada disso. É o corpo avisando que aquilo não cabe mais.O barulho que antes animava agora irrita.A conversa que antes entretinha agora esvazia.A presença que antes confortava agora pesa. Não porque as pessoas mudaram. Mas porque você mudou. O problema começa quando a gente transforma esse aviso em superstição e terceiriza a responsabilidade. Fica mais fácil dizer que o outro é negativo do que admitir que você já não é a mesma pessoa que tolerava aquilo. O corpo é mais honesto que os discursos. Ele responde com tensão, cansaço, vontade de ir embora, silêncio interno. Não é rejeição ao outro. É reconhecimento de si. Saber quem e o que ter por perto não é sobre excluir pessoas, nem criar bolhas artificiais. É sobre respeitar o que hoje sustenta sua existência e o que já ficou estreito demais. Alguns vínculos não são tóxicos. São antigos.Alguns lugares não são ruins. São passados. E insistir neles cobra um preço que o corpo sempre apresenta a conta. Aline AndradePsicóloga Clínica

Não há saída se não a de atravessar.

No cotidiano, atravessar não tem nada de épico. É responder a mensagem que você evita há semanas. É admitir que o trabalho já não faz sentido, mesmo pagando as contas. É sustentar uma conversa que pode mudar uma relação ou encerrá-la. Muita gente tenta contornar. Distrai, racionaliza, se ocupa, espera o tempo resolver. Mas o que é evitado não desaparece. Volta como cansaço, irritação constante, perda de prazer nas coisas simples. Atravessar é aceitar o desconforto de olhar para o que está aí. Não para sofrer mais, mas porque fugir cobra um preço alto demais. A travessia exige presença. Exige reconhecer que não escolher também é uma escolha, e geralmente a mais pesada. Na clínica, atravessar não significa encontrar respostas bonitas. Significa sustentar perguntas que não aceitam mais adiamento. Ficar com o incômodo tempo suficiente para que algo se transforme. Não é sobre coragem idealizada. É sobre honestidade com a própria vida, do jeito que ela está agora. Aline AndradePsicóloga Clínica

O medo se alimenta da fuga.

No dia a dia, a fuga aparece em gestos pequenos. Adiar uma conversa incômoda. Fingir que não viu uma mensagem. Trabalhar demais para não pensar. Dormir para escapar do cansaço que não é só físico. Quando você foge, o medo não desaparece. Ele ganha tempo, espaço e imaginação. O que não foi encarado começa a crescer por dentro, sem contraponto da realidade. A conversa evitada vira um desastre na cabeça. A decisão adiada vira uma ameaça difusa. O silêncio vira prova de algo que nunca aconteceu. O medo se alimenta da fuga porque a fuga impede o confronto com o real. E o real, por mais duro que seja, costuma ser mais limitado do que o medo prevê. Quando não há escolha assumida, o medo ocupa esse lugar. Em termos existenciais, fugir é também recusar a própria liberdade. Não escolher é uma escolha. E essa escolha sustenta o medo como modo de existir. Encarar não elimina o medo. Mas o enfraquece. Porque o medo vive melhor no território do “e se” do que no chão concreto do que é. Aline AndradePsicóloga Clínica

Você tem olhado pra você?

Às vezes você faz tanto pelos outros que nem percebe que deixou a própria vida no modo espera. Você resolve o problema da amiga, cuida da família, acalma quem está em caos, organiza tudo com cuidado. Mas quando é sobre você, vira adiamento, cansaço, silêncio. E no fundo existe aquela expectativa escondida de receber de volta o mesmo cuidado que você entrega. Só que isso raramente acontece, porque cada um está tentando segurar a própria vida. E se você usasse essa dedicação para si? Se desse a si o colo que oferece tão fácil? Quando você começa a fazer por você o que faz pelos outros, algo muda. A rotina pesa menos, a frustração diminui e a vida começa a ficar mais honesta. Você se sente mais realizada porque não depende da resposta de ninguém. E isso não é egoísmo. O egoísmo verdadeiro aparece quando você cuida de todo mundo esperando retorno. Cuidar de si é responsabilidade. Se cada um cuidasse do próprio corpo, da própria mente e das próprias dores, ninguém precisaria preencher o que falta no outro. Se você sente que tem vivido mais para o mundo do que para você mesma, talvez seja hora de admitir que algo aí não está funcionando. E que não é fraqueza reconhecer isso, é honestidade.Quando quiser começar esse olhar mais honesto e profundo para si, meu atendimento está aberto para te acompanhar. Aline AndradePsicóloga Clínica

A depressão como ruptura do gesto de existir.

A depressão pode até nascer de algo imenso, daqueles acontecimentos que quebram o chão que você pisa. Mas o que mantém essa dor viva, muitas vezes, é o modo como a gente vai deixando de ocupar o próprio mundo. É como se a vida fosse ficando estreita enquanto tudo ao redor nos empurra para apenas consumir: consumir conteúdo, consumir opiniões, consumir distração. O problema é que fomos feitos também para criar. Criar do zero. Dar forma ao que antes não existia, transformar matéria em expressão, tirar algo de dentro e colocar no mundo. Quando essa possibilidade fica abafada, a existência começa a perder textura. O imediatismo rouba o silêncio necessário para inventar algo. A rapidez do dia a dia tira o espaço onde o pensamento poderia respirar. E aí aparece essa sensação de não pertencer a lugar nenhum. Não porque falte algo externo, mas porque o mundo vira cenário e você vira espectador. É o corpo pedindo uma pausa, não para consumir mais uma coisa qualquer, mas para recuperar o gesto de existir ativamente. A depressão também fala disso. Da fratura entre o que você poderia criar e o que você tem apenas recebido. E, mesmo que doa, ela aponta para uma urgência: voltar a se colocar no mundo como alguém que faz surgir algo, e não só alguém que reage ao que já está pronto. Aline AndradePsicóloga Clínica

Adoeci no meu melhor momento.

Adoeci no meu melhor momento.E descobri que o corpo não escolhe datas convenientes. Ele apenas espera. Espera a vida ficar minimamente estável para fazer emergir o que foi ignorado enquanto eu precisava sobreviver. É estranho perceber que o adoecimento não veio no caos, mas na ordem. Não quando tudo estava ruindo, mas justamente quando eu finalmente tinha chão. Há algo quase cruel nisso. Quando a rotina se ajeita, quando o trabalho acalma, quando as relações deixam de ser território de guerra, o corpo entende que existe espaço para reparar o que ficou suspenso. Foi aí que percebi que o silêncio acumulado também pesa. Que aquilo que parecia superado estava apenas adormecido, guardando energia para se manifestar na primeira brecha de segurança. O adoecimento no melhor momento não é contradição. É consequência.É o instante em que a vida para de exigir resistência e começa a exigir honestidade.E enfrentar isso sozinha pode transformar o processo em labirinto. Na psicoterapia, esse movimento encontra lugar, nome e direção. É onde a dor tardia pode ser examinada sem pressa, onde o que emergiu finalmente encontra linguagem, e onde o corpo deixa de carregar sozinho o que não foi possível sentir antes. Se você também adoeceu quando tudo parecia “enfim certo”, talvez seja justamente agora que você tenha espaço real para se escutar. E eu posso te acompanhar nessa travessia. Aline AndradePsicóloga Clínica

O medo do abandono e da solidão.

O medo do abandono e da solidão não são apenas sentimentos, são formas de viver.Quem carrega esses medos geralmente:Aceita pouco pra não perder o pouco que tem.Foge de conversas profundas pra não se sentir exposto.Evita o silêncio porque ele mostra o que tenta esconder.Se enche de gente, mas continua vazio.Cria dependências em nome de “vínculo”.E cobra dos outros aquilo que ainda não consegue sustentar em si. Essas pessoas vivem em alerta, tentando prever o momento em que serão deixadas. E, por medo de sofrer, acabam se afastando primeiro.Outras fazem o contrário: se anulam, aceitam migalhas e permanecem em relações que já não fazem sentido, acreditando que assim ninguém vai embora. Atendo muitas pessoas que vivem presas nesse ciclo. Elas percebem que estão sempre no mesmo ponto: mudam de cenário, de relação, de fase da vida, mas a sensação é sempre a mesma. No consultório, o trabalho é ajudar a reconhecer onde o medo comanda, entender o que ele protege e o que ele impede de viver. Com o tempo, o que era defesa vira consciência. E o que era fuga, vira escolha.É assim que a psicoterapia transforma o medo em liberdade emocional. Aline AndradePsicóloga Clínica