Raiva em excesso é porque você ainda não entendeu seus limites.

A raiva não surge por acaso. Ela aparece quando algo dentro de você já gritou “basta” e não foi ouvido, nem por você, nem pelos outros.Quem vive tomado por ela, geralmente:Explode por pouco, mas engole o que realmente importa.Tenta conter o mundo pra não desabar por dentro.Acumula frustração por se sentir invisível ou desrespeitado.Sente culpa depois do impulso, mas logo se defende pra não se sentir fraco.E, no fundo, usa a raiva pra não encarar o que dói: rejeição, medo, impotência. Essas pessoas parecem duras, mas por dentro há um acúmulo de decepções não elaboradas.Elas não sabem pedir, então exigem. Não sabem confiar, então controlam.E vivem cansadas de reagir, mas sem saber outro jeito de existir. Atendo com frequência pessoas que chegaram ao limite da própria irritação. No consultório, o trabalho não é “eliminar a raiva”, e sim entender o que ela está tentando proteger. Porque a raiva, quando escutada, revela o que foi calado por muito tempo. Com o tempo, ela deixa de dominar e passa a indicar caminhos.A psicoterapia ajuda a transformar o grito em compreensão, e o impulso em escolha consciente. Aline AndradePsicóloga Clínica

Às vezes, o vitimismo é só o medo disfarçado de explicação.

Às vezes, a pessoa reclama que nada dá certo, mas também não se move. Tudo que sai do roteiro, ela transforma em injustiça. Diz que é inveja, olho gordo, o universo testando, qualquer coisa que alivie o peso de ter que se responsabilizar. Só que o vitimismo, na maioria das vezes, é medo travestido de lógica. Medo de tentar e falhar, de reconhecer que não controla tudo, de aceitar que a vida não se curva às nossas expectativas. É mais fácil culpar o mundo do que admitir a própria paralisia. O obstáculo, muitas vezes, é o medo de ser visto tentando. De ter que recalcular o caminho, fazer novas escolhas, se frustrar, mas não desistir. O autoconhecimento que transforma não vem de livros ou frases prontas. Ele nasce na terapia, com o psicólogo. Com alguém que te confronta com cuidado, que sabe te perguntar, que te observa além do que você diz, que entende como você funciona. Porque mudar exige coragem. E coragem não se explica. Se vive. Aline AndradePsicóloga Clínica

Talvez você não esteja indecisa. Só tentando prever o futuro antes de escolher.

Você pensa, repensa, faz listas mentais. Analisa todos os cenários possíveis, mas continua parada. Como se cada escolha viesse com um aviso de perda. E vem. Decidir é abrir mão, e isso assusta. No fundo, não é indecisão. É medo de se arrepender. De investir tempo, energia, amor, e descobrir depois que não era bem aquilo. É tentar controlar o imponderável, como se houvesse um caminho certo garantido. Enquanto isso, a vida acontece no modo espera. Você deixa de responder mensagens, posterga conversas, não agenda compromissos. A ansiedade se disfarça de “preciso pensar melhor”, mas o que você quer mesmo é adiar o risco. Só que adiar também é decidir, a favor da estagnação. Observe as pequenas decisões do seu dia: o que você adia, o que evita responder, o que analisa demais. Escolha uma dessas situações e tente agir com mais presença, não para acertar, mas para perceber o que sente quando finalmente se move. Às vezes, o que falta não é uma resposta perfeita, e sim coragem para sustentar a dúvida sem paralisar. Só que fazer isso sozinha pode ser confuso. A mente ansiosa mistura todos os medos e transforma cada passo em ameaça. Na terapia, você aprende a organizar esse emaranhado, reconhecer o que é medo, o que é desejo e o que é apenas ruído. Ter alguém conduzindo o processo ajuda a transformar o medo de escolher em um movimento de liberdade. Aline AndradePsicóloga Clínica

Viver tentando fazer tudo certo também é uma forma de se punir.

Há quem viva pedindo desculpas até quando não errou. Que revê conversas na cabeça antes de dormir, tentando descobrir se foi mal interpretado. Que pensa dez vezes antes de dizer “não”, e mesmo assim sente culpa depois. A ansiedade mora nesse lugar: o de quem tenta antecipar cada erro para evitar ser malvisto, rejeitado, criticado. Mas esse zelo tem um preço. Viver tentando ser impecável é uma forma de se auto vigiar o tempo todo. Uma prisão disfarçada de consciência. Você se torna juiz e réu da própria vida, e nada do que faz parece suficiente. Não é virtude viver exausto de tanto se cobrar. É sofrimento. E ele não passa com frases prontas, nem com descanso de fim de semana. Quando o medo de errar dita as regras, tudo empobrece: relações, prazer, espontaneidade. Tente perceber, ao longo do dia, quantas vezes você se desculpa por coisas mínimas. Ou quantas decisões toma pensando em não decepcionar alguém. Escreva isso, sem julgamento. Às vezes, ver no papel o tamanho da cobrança é o primeiro passo para desmontar o ciclo.Mas sair desse lugar exige mais do que consciência. É preciso aprender a sustentar o desconforto de não ser perfeito, de não agradar sempre. A terapia te ajuda a fazer isso com um olhar mais gentil, sem se perder no excesso de culpa. É nesse espaço que você pode, finalmente, deixar de se punir por ser humano. Aline Andrade Psicóloga Clínica

A comparação disfarçada de inspiração.

Tem dia que a gente abre o celular e sente uma leve náusea existencial. Todo mundo parece vivendo melhor: cafés estéticos, corpos definidos, relacionamentos que dão “match” até no feed. E a gente ali, sentado no sofá, com o cabelo meio úmido e o prato do almoço ainda na pia, pensando que a vida perdeu o brilho. As redes sociais criaram uma sensação silenciosa de inadequação. A comparação virou rotina. O que antes era “deixar o tempo passar” virou “não estar fazendo o suficiente”. A caminhada sem fone, o café morno na xícara preferida, a conversa sem foto, nada disso parece render post. E aí vem o vazio, a ideia de que o simples deixou de bastar. Mas talvez não seja a vida que perdeu a graça. Talvez a gente só tenha esquecido de olhá-la fora da tela. A terapia ajuda a enxergar isso. A perceber o quanto a busca por uma felicidade exibível pode distorcer o que é real. Ela convida a questionar o que se chama de sucesso, a reconstruir o prazer no cotidiano e a escolher com consciência quem e o que ocupa o seu olhar. Vale observar quanto tempo você entrega a ficar rolando a tela. Vale também perguntar: o que estou consumindo está me aproximando de mim ou me afastando? A vida não precisa ser extraordinária para ser significativa. Às vezes, o que mais transforma é voltar a gostar do que sempre esteve ali, do cheiro do café, do vento na janela, do silêncio entre uma notificação e outra. Aline AndradePsicóloga Clínica

O medo de ficar bem.

Muita gente fala sobre o medo de piorar, mas quase ninguém fala sobre o medo de ficar bem. Porque ficar bem exige mudança, e mudança cobra caro. Quando começamos a melhorar, algo em nós precisa ir embora. O personagem que sobreviveu ao caos, as relações que só existiam em torno da dor, os lugares que faziam sentido apenas quando a gente estava tentando se reerguer. Ficar bem é, também, deixar o conhecido partir. E é por isso que o medo aparece: ele tenta nos convencer de que é mais seguro continuar no que já se sabe lidar. Mas procurar ajuda pode tornar essa travessia mais possível, menos solitária. Assim, o medo de ficar bem não precisa ser maior que o desejo de viver bem. Aline AndradePsicóloga Clínica

Dizer não é um ato de liberdade. Escutar o não é reconhecer a liberdade do outro. Fugir dos dois é negar a própria existência.

Fomos ensinados que dizer não é falta de educação, egoísmo ou frieza. Por isso, tanta gente aceita o que não quer, engole incômodos e se molda para não ser mal vista ou mal falada. Só que essa tentativa de ser “boa pessoa” tem um preço: quem não sabe dizer não, também não sabe escutar um não. Quando alguém coloca um limite, o incômodo aparece. Vem a raiva, a sensação de rejeição, a leitura de que o outro está sendo injusto. Mas o desconforto é interno: é difícil aceitar que o outro faz o que você não consegue fazer, escolher a si mesmo sem culpa. Nas relações, isso pesa. Quem sempre cede se sente usado. Quem não tolera o não do outro busca controle disfarçado de afeto. A empatia vira distorção: acreditar que ser empático é nunca frustrar ninguém. O existencialismo lembra que todo sim é também um não. Fugir do não é fugir da própria liberdade. Dizer não é um ato de responsabilidade. E escutar um não sem se ofender é sinal de maturidade emocional. Aline AndradePsicóloga Clínica

Quando a vida antiga não cabe, o que sobra?

Você acorda e veste o uniforme de sempre: o mesmo crachá, a mesma rotina, a mesma maneira de responder “tudo bem” quando alguém pergunta. Só que, no fundo, não está mais tudo bem. O trabalho que antes dava orgulho agora pesa como um fardo. A relação que já foi lugar de aconchego hoje parece um contrato burocrático. Até a casa, com os móveis que você mesmo escolheu, já não transmite lar. É como calçar um sapato que foi feito para você anos atrás e agora aperta. E aqui vem a parte incômoda: não é o mundo que mudou tanto assim, foi você. Os sentidos que davam sustentação se esgotaram. E quando isso acontece, não há manual que segure. Você se vê diante daquilo que Sartre já chamava de condenação: ter que escolher, reinventar, assumir a liberdade de criar-se de novo. O vazio que aparece não é uma falha sua, é o anúncio de que a vida antiga morreu. E a pergunta é direta: você vai continuar tentando caber em algo que já não comporta quem você se tornou, ou vai aceitar o risco de nascer outra vez? Aline AndradePsicóloga Clínica

Será que estamos mais conectados ou mais distantes do que nunca?

Você sai do trabalho e passa no mercado. Volta pra casa cansado, mas antes de deitar abre o celular: dezenas de mensagens, piadinhas em grupo, notificações. Aparentemente, você está cercado de gente. Mas a sensação, quando apaga a luz, é de estar absolutamente sozinho. Isso não é falta de contatos, é falta de encontro. Você pode ter 200 “amigos” online e nenhum olhar que de fato reconheça sua existência. Pode dividir a cama e ainda assim se sentir invisível. O silêncio da solidão hoje se esconde em casas barulhentas e timelines agitadas. E aqui entra o ponto mais duro: é fácil reclamar da ausência do outro, mas quase nunca paramos para encarar a nossa própria ausência. Quantas vezes você está diante de alguém e, em vez de escutar, já está pensando na resposta? Quantas vezes finge interesse só para não admitir que a conversa não te atravessa mais? Solidão não é só falta de gente, é também a covardia de não se deixar ser visto de verdade. A questão é desconfortável: você quer companhia ou quer presença? Porque a primeira se compra em qualquer aplicativo. A segunda exige coragem de se mostrar e de sustentar o vazio de não ser correspondido.

Você insiste em parecer forte, mas o corpo sabe exatamente o preço que está pagando.

Você provavelmente já viveu isso: dizem que você é forte, que dá conta, que todo mundo pode contar com você. E você sorri, aceita, veste esse papel como se fosse um elogio. Mas no fundo, sabe que não é bem assim.Porque ser “forte” tem custado caro. Você aceita tarefas que não cabem, diz sim quando queria dizer não, sorri para não decepcionar. E quando finalmente está sozinha, seu corpo mostra a conta: dor nas costas, insônia, palpitação, cansaço que não passa.Você pode até enganar os outros, mas o corpo não mente. Ele sabe de cada vez que você ultrapassou seu limite, de cada vez que sacrificou seu descanso para sustentar uma imagem.Quem você está tentando convencer com essa força toda? E até quando vai pagar com a própria saúde o preço de parecer inabalável? Eu já senti na pele o peso de sustentar uma força que só existia por fora, enquanto por dentro o corpo pedia socorro. A terapia foi o lugar onde essa farsa começou a desmoronar e, junto dela, nasceu a possibilidade de uma vida menos sacrificada. Se você também se reconhece nesse papel de “forte”, talvez seja hora de se permitir outro jeito de existir. Aline AndradePsicóloga Clínica