Amor-próprio não se sustenta no espelho.

Não é se olhar no espelho e repetir afirmações esperando que algo mude. Isso até pode acalmar por alguns minutos, mas não sustenta uma vida.

Amor-próprio aparece nas decisões pequenas e desconfortáveis. É perceber que o corpo já está tenso naquela conversa e, ainda assim, não se violentar para agradar. É dizer não sem pedir desculpa por existir. É reconhecer o limite antes de estourar e não depois.

No dia a dia, amor-próprio é saber se comunicar consigo mesmo sem agressão. Parar de se chamar de fraco, exagerado, insuficiente. Tratar o próprio cansaço com seriedade, não como drama. Escutar o incômodo antes que ele vire sintoma.

Também é saber a hora de ficar e a hora de partir. Permanecer quando ainda há presença. Ir embora quando só restou medo de ficar só. Não negociar respeito para não perder companhia.

Amor-próprio é não permitir que os outros saibam mais sobre você do que você mesmo. É não entregar sua medida ao olhar alheio. É sustentar escolhas mesmo quando elas não recebem aplauso.

E, principalmente, é não aceitar desrespeito como preço da pertença. Quem se abandona para não ficar sozinho já está em solidão, só que acompanhado.

Amor-próprio não é estética emocional. É ética com a própria existência.

Aline Andrade
Psicóloga Clínica