Quando nada faz sentido, o impulso é olhar para fora. Para a vida do conhecido que “deu certo”. Para o famoso que parece seguro, produtivo, confiante. Para quem aparenta saber exatamente onde está indo.
Esse é um ponto cego comum. Olhar demais para trajetórias que não são as suas.
Outro ponto cego é ignorar o próprio corpo. Ele já avisou que esse ritmo cansa, que a comparação pesa, que esse caminho não cabe mais. Ainda assim, você insiste, porque alguém parece ir mais rápido ao seu lado.
Nada faz sentido quando você tenta viver a direção de outra pessoa. Quando mede a própria vida por recortes editados. Quando exige de si clareza total enquanto atravessa fases que, por natureza, são confusas.
Talvez o problema não seja falta de sentido. Talvez seja excesso de referências externas e pouca escuta do que está acontecendo aí dentro.
Perguntas que costumam ficar fora do campo de visão.
O que eu estou sustentando só para não parecer perdido?
Que escolha eu adiaria menos se não estivesse me comparando?
O que o meu cansaço está tentando dizer?
Na clínica, a terapia não oferece um mapa pronto. Ela ajuda a tirar os olhos do caminho do outro e a sustentar perguntas que pertencem à própria vida. Não para acelerar processos, mas para parar de se violentar tentando caber em direções que não são suas.
E se a grande questão for reconhecer o que você está fazendo de errado, não porque alguém acertou diferente, mas porque esse caminho já mostrou que não funciona para você?
Aline Andrade
Psicóloga Clínica



