Violência não é só agressão direta. Às vezes é continuar onde não há escuta. É forçar produtividade quando o corpo pede pausa. É ignorar sinais claros de sofrimento para não decepcionar ninguém. Toda vez que a violência vira estratégia de sobrevivência, alguém perde. Quase sempre você.
Na clínica, aparece o discurso de “não posso parar agora”. Como se a vida tivesse um momento certo para sentir. Mas o sintoma não pede licença. Ele surge quando não há mais espaço interno para empurrar tudo para depois.
A psicoterapia não romantiza o sofrimento nem transforma dor em mérito. Ela ajuda a reconhecer quando insistir virou autoviolência. Quando seguir do mesmo jeito deixou de ser responsabilidade e virou abandono de si.
Parar também é um ato. Rever escolhas também é uma forma de ação.
Talvez o fracasso não seja mudar. Talvez seja continuar fingindo que dá.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica




