No dia a dia, quase ninguém se percebe violento. A violência aparece em frases ditas no automático. No chefe que “brinca” expondo você. No familiar que corrige sua vida como se fosse um projeto malfeito. No parceiro que invalida o que você sente com um “você está exagerando”. Palavra não é detalhe. Ela organiza relações de poder, ensina quem fala e quem se cala.
Quando você escuta isso repetidamente e aprende a engolir, algo se estrutura internamente. Você começa a duvidar de si, a se explicar demais, a pedir desculpa por existir. Em clínica, isso aparece com nitidez. Não no discurso elaborado, mas nas pequenas escolhas diárias que te colocam sempre no lugar de quem suporta.
A psicoterapia existencial não te ensina a falar bonito. Ela te ajuda a perceber quando o silêncio virou submissão e quando a fala pode ser um gesto de responsabilidade com a própria vida.
Se você vive se calando para manter tudo funcionando, talvez o preço já esteja alto demais.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica




