Você vê alguém viajando… e pensa “um dia eu vou”.
Vê alguém mudando de área… e acha bonito.
Vê alguém começando do zero… e admira a coragem.
Mas você continua no mesmo lugar.
Não porque não quer.
Mas porque não banca.
Bancar não é só desejar.
É sustentar o desconforto que vem com a ação.
E também é sair de um lugar conhecido.
Sair de relações, rotinas e versões de si que já não fazem sentido, mas ainda dão uma falsa segurança.
É dizer não.
Não para os outros, muitas vezes.
Mas principalmente para esse papel confortável de vítima, onde nada muda porque tudo sempre depende de algo ou alguém.
Bancar é mandar currículo mesmo sem se sentir pronto.
É começar a guardar dinheiro mesmo que seja pouco.
É estudar e, principalmente, usar o que aprendeu, mesmo travando.
Porque tem uma armadilha silenciosa aí.
Você se prepara tanto…
que nunca se coloca.
Faz curso, pesquisa, pensa, organiza.
Mas evita o momento em que precisa se expor de verdade.
E sem esse momento, nada muda.
Enquanto isso, a vida dos outros vai andando.
Não porque eles são mais confiantes.
Mas porque, em algum ponto, eles foram mesmo com insegurança.
E você fica assistindo.
Assistindo e se convencendo de que “ainda não é a hora”.
Quando, na prática, só está adiando o incômodo de agir.
Bancar seus sonhos não tem glamour.
Tem dúvida, erro, tentativa ruim, recomeço.
Mas também tem movimento.
A terapia não é sobre te motivar.
É sobre te colocar diante desse ponto com honestidade:
você quer isso… ou quer só a ideia disso?
Porque, no fim, não decidir também é uma decisão.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica



