Alguns casais não estão mais juntos por cuidado, parceria ou desejo de seguir lado a lado. Estão juntos para cobrar. Para lembrar. Para devolver a dor.
A cena é comum.
Uma frase atravessada no café da manhã.
Uma ironia na frente dos outros.
Uma crítica que parece pequena, mas vem carregada de anos de ressentimento.
A relação vira um campo de ajuste de contas.
Não se separa.
Também não se reconstrói.
Fica ali, numa guerra silenciosa em que cada gesto tenta ferir um pouco o outro.
O problema é que, nesse jogo, a vida de quem tenta punir também vai ficando pequena.
O dia gira em torno da mágoa.
As conversas voltam sempre para o mesmo ponto.
Nada novo entra, porque tudo ainda está preso ao que aconteceu.
Algumas pessoas passam anos assim.
Não perdoam.
Não vão embora.
Também não conseguem seguir em frente.
O desejo de punir acaba ocupando o lugar de viver.
E, sem perceber, quem tenta destruir o outro vai lentamente destruindo a própria possibilidade de ter uma vida mais leve, mais saudável, mais habitável.
A psicoterapia pode ajudar a olhar para essas dinâmicas com mais lucidez.
A entender o que ainda mantém alguém preso nessa guerra e abrir espaço para outras escolhas possíveis.
Porque permanecer no ressentimento também é uma escolha.
E ela costuma custar caro para quem a sustenta.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica




