Muita gente acredita que o fundo do poço é o fim. Como se chegar ali fosse prova de incapacidade. Mas, na prática, ele costuma ser o ponto em que não dá mais para sustentar a mentira. Quando a ansiedade não cabe mais no discurso de “é só estresse”. Quando o vazio aparece mesmo com a vida aparentemente organizada.
Sem essa queda, quase nada mudaria. O fundo do poço não é bonito, nem transformador por si só. Ele apenas escancara o que já vinha sendo evitado. E é exatamente por isso que pode se tornar um recomeço necessário.
A clínica existencial não promete resgate rápido. Ela oferece um espaço para olhar com honestidade para esse momento e decidir o que fazer com ele. Não como vítima das circunstâncias, mas como alguém responsável pela própria história.
Se você sente que chegou num limite, talvez isso não seja o fim. Talvez seja o primeiro ponto real de escolha.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica




