Você reclama.
Se irrita.
Diz que não aguenta mais.
Às vezes até ameaça.
Diz que vai embora.
Diz que não aceita mais aquilo.
Mas não vai.
Permanece exatamente no mesmo lugar.
Suportando a mesma situação que diz odiar.
E enquanto continua ali, faz algo curioso.
Coloca no outro a responsabilidade por aquilo que você mesmo mantém.
Espera que o outro mude.
Ou que o outro vá embora.
Como se a decisão não fosse sua.
No fundo, não é apenas dificuldade de sair.
É medo do que vem depois.
Porque quando você realmente se posiciona, algo muda.
Relações mudam. Lugares mudam. Papéis mudam.
E isso exige que você escolha.
O problema é que, com o tempo, até o incômodo vira um tipo de conforto.
Já é conhecido. Já é previsível. Já tem roteiro.
Então muita gente prefere continuar reclamando de uma situação
que, no fundo, já poderia ter deixado para trás.
Aline Andrade Psicóloga Clínica




