Você diz que vai ver o que acontece.
Que vai deixar nas mãos de Deus.
Que o tempo resolve.
Que, se for para ser, vai ser
Parece leve.
Mas não é neutralidade.
É escolha.
Quando você não decide, alguém decide por você.
Ou as circunstâncias decidem.
Ou o tempo passa e define no seu lugar.
E depois você olha o resultado e diz que “não teve opção”.
Teve.
Só que você preferiu não se implicar nela.
É mais confortável acreditar que foi o destino, o acaso, o outro.
Porque isso alivia o peso da responsabilidade.
Principalmente quando o resultado não é o que você queria.
Aí entra uma lógica silenciosa:
“não fui eu, aconteceu”.
Mas aconteceu dentro de um caminho que você sustentou.
Você ficou na relação que já não funcionava.
Você não fez a inscrição.
Você não respondeu.
Você não foi.
E tudo isso também é ação.
Só que disfarçada de ausência.
A gente escolhe o tempo todo.
O problema é que, muitas vezes, escolhe de má fé.
Finge que não está escolhendo
para não ter que sustentar as consequências depois.
E enquanto você se coloca nesse lugar…
esperando que o outro faça, que a vida traga, que algo mude por fora…
você vai se colocando como alguém que depende.
E quem depende, espera.
E quem espera, não conduz.
Criar expectativa não é o problema.
O problema é terceirizar a realização dela.
Querer algo e esperar que o outro supra, resolva ou aconteça sozinho
é se manter em uma posição confortável… e limitada.
Porque ali você não falha.
Mas também não constrói.
A terapia não tira o peso de escolher.
Mas te impede de continuar fingindo que não está escolhendo.
E isso muda tudo.
Porque no momento em que você assume:
“sou eu que estou escolhendo isso aqui”…
você também assume que pode escolher diferente.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica



