Você diz que merece atenção.
Respeito.
Presença.
Mas olha para o que você tem aceitado.
Resposta fria… e você continua.
Falta de consideração… e você releva.
Ausência… e você arruma explicação.
E aí vem a parte incômoda.
Não é coerente exigir do outro algo que você mesmo não sustenta para si.
Você quer que o outro te priorize…
mas você se deixa por último.
Quer que o outro seja claro…
mas você evita conversas difíceis.
Quer ser valorizado…
mas aceita qualquer coisa que não te confronte.
Isso não é sobre o outro não te dar.
É sobre você continuar aceitando.
Porque o outro entrega o que consegue, o que quer, o que sabe.
Mas quem define o limite disso na sua vida é você.
E quando você permanece mesmo diante do pouco…
você ensina, na prática, o quanto aquilo é suficiente.
É duro, mas é simples.
Você diz que merece mais…
mas vive como se menos já bastasse.
E isso cria um tipo de relação onde o outro não precisa mudar.
Porque nada ali exige mudança.
A terapia não é para te ensinar a cobrar.
É para te colocar diante da sua própria incoerência.
Do ponto onde você pede mais…
mas ainda não decidiu se posicionar de outro jeito.
Porque merecer, todo mundo acha que merece.
Sustentar isso nas próprias escolhas… já é outra história.
Aline Andrade
Psicóloga Clínica



