Você ensina ao outro que tudo bem te deixar por último.

Você reclama que ninguém te prioriza, mas nunca se coloca na própria lista. Diz que falta tempo, enquanto aceita tarefas que não são suas. Fala em cansaço, mas continua dizendo sim quando já passou do limite. Isso se repete em decisões pequenas, quase automáticas.

Você espera consideração, mas responde mensagens mesmo exausto. Espera respeito, mas ignora sinais claros do corpo. Espera atenção, mas se trata como algo que pode ficar para depois. Depois vira sempre nunca.

Quando alguém ultrapassa seus limites, a indignação vem. Mas o limite já tinha sido atravessado antes. Por você. Não por fraqueza, mas por hábito. Por ter aprendido que se colocar em segundo plano era necessário para ser aceito, útil, querido.

O outro aprende rápido como você funciona. Aprende que você aguenta, que você releva, que você se adapta. E você chama isso de falta de amor. Mas, muitas vezes, é falta de posicionamento.

Limite não é discurso. É prática diária. É o horário que você respeita, o convite que você recusa, o descanso que você não negocia. Ninguém sustenta por você aquilo que você mesmo abandona.

A psicoterapia existencial trabalha exatamente nesse ponto. Não para ensinar regras de relacionamento, mas para desmontar o modo automático como você se trata. Porque a forma como você existe no mundo ensina aos outros o lugar que você aceita ocupar.

Talvez a pergunta não seja por que os outros não cuidam de você. Mas por que você insiste em não cuidar.

Aline Andrade
Psicóloga Clínica

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