Nem tudo que incomoda é energia ruim.

Tem lugares que antes eram leves e hoje cansam. Pessoas que você gostava de encontrar e agora drenam. E rapidamente alguém traduz isso como “energia pesada”, “gente carregada”, “ambiente ruim”.

Na maioria das vezes, não é nada disso.

É o corpo avisando que aquilo não cabe mais.
O barulho que antes animava agora irrita.
A conversa que antes entretinha agora esvazia.
A presença que antes confortava agora pesa.

Não porque as pessoas mudaram. Mas porque você mudou.

O problema começa quando a gente transforma esse aviso em superstição e terceiriza a responsabilidade. Fica mais fácil dizer que o outro é negativo do que admitir que você já não é a mesma pessoa que tolerava aquilo.

O corpo é mais honesto que os discursos. Ele responde com tensão, cansaço, vontade de ir embora, silêncio interno. Não é rejeição ao outro. É reconhecimento de si.

Saber quem e o que ter por perto não é sobre excluir pessoas, nem criar bolhas artificiais. É sobre respeitar o que hoje sustenta sua existência e o que já ficou estreito demais.

Alguns vínculos não são tóxicos. São antigos.
Alguns lugares não são ruins. São passados.

E insistir neles cobra um preço que o corpo sempre apresenta a conta.

Aline Andrade
Psicóloga Clínica

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