Bianca nunca aprendeu que amor podia ser dito.

Na casa dela, amor era pagar conta.
Era buscar na escola.
Era comprar alguma coisa quando dava.
Mas falar “eu te amo”, demonstrar carinho, chorar, precisar de colo… isso já parecia exagero.

Quando alguém se emocionava demais, sempre vinha uma frase cortando:
“Que frescura.”
“Tá chorando por isso?”
“Tem que ser forte.”
“Engole o choro.”

Então Bianca foi aprendendo cedo que sentir demais incomodava.
Que demonstrar amor deixava a pessoa vulnerável.
Que carinho demais parecia fraqueza.

Hoje ela sente desconforto quando alguém fala o quanto gosta dela.
Não sabe muito bem como responder.
Às vezes até ironiza.
Às vezes muda de assunto.
Às vezes sente vontade de fugir.

E não porque não queira amor.
Mas porque aprendeu que demonstrar afeto colocava a pessoa num lugar perigoso.

Então ela ama tentando não parecer que ama.
Cuida sem falar.
Sente sem mostrar.
E acha normal viver assim, porque foi assim que aprendeu.

Só que crescer em ambientes emocionalmente duros faz muita gente acreditar que sensibilidade é defeito.
Quando, na verdade, foi só a forma que encontraram para sobreviver sem precisar se vulnerabilizar.

Aline Andrade Psicóloga Clínica

ATENÇÃO

Leia antes de prosseguir

*Atendimento particular e online.

*Somente para adultos.